Angola:

Arte

A expressão artística angolana busca a simplicidade e a essência das coisas, afirmando a especificidade cultural angolana. De uma maneira geral, remetem-nos, muitas vezes, para a reflexão, permitindo que os homens se dispam das sofisticações da época contemporânea e valorizem os bens naturais e ambientais.
A arte angolana utiliza diversos materiais como a madeira, o bronze, o marfim, a cerâmica, entre outros, e assume um papel importante ao nível cultural, evidenciando aspectos sociais, religiosos e até políticos.
Aborda diferentes temáticas como conflitos temporais, a passagem da infância para a maioridade, a vida e a morte, a celebração de colheitas, vitórias na guerra, religião, entre outras. No entanto, face à diversidade de etnias, há que ressalvar que cada uma tem uma expressão artística muito própria. Nas artes plásticas angolanas destacam-se as telas, gravuras, baixos-relevos em latão, esculturas e estatuária artesanal
As máscaras são um dos elementos mais importantes na cultura angolana e são utilizados nas mais diversas situações. Destacam-se, pela sua popularidade, quatro máscaras: a mascara feminina Mwnaa-Pwo, que é usada por dançarinos nos seus rituais de puberdade; a mascara de Kalelwa, que é usada em rituais de circuncisão; e, por último, a Cinkung e a Cihongo que evocam figuras mitológicas de Lunda-Cokwe.
Como nas outras culturas africanas, as diversas etnias angolanas acreditam num “mundo paralelo” ao dos vivos, o que as inspira a construis estatuetas simbolizando o poder desse mundo e o que faz delas uma espécie de amuletos com poderes sobre-naturais. Além disso, a fertilidade e os antepassados (que simbolizam a sabedoria) são também enfatizados nas esculturas angolanas. As esculturas, tal como outros objectos, eram utilizadas, assim, em diversos rituais, como os da adivinhação, em que alguém consultava os sacerdotes para vencer um mal (como uma doença).
No âmbito das esculturas, há que realçar uma das mais belas estatuetas africanas e a mais popular de Angola: “O pensador”. Esta tem origem de Cokwe e é uma referência cultural para todos os angolanos, sendo mesmo considerado um Símbolo da Cultura Nacional. A sua estética leva qualquer pessoa a admirá-la: um idoso, que tanto pode ser homem ou mulher, tem a face ligeiramente inclinada para baixo, com as mãos sobre a cabeça. No entanto, a figura esculpida em madeira, tenta reportar-nos para a reflexão, conjugando a harmonia, a tranquilidade e a serenidade. Simboliza ainda o conhecimento adquirido pelos idosos, ao longo do tempo, que os torna sábios e respeitados por toda a comunidade angolana. A figura tem origem na Escola de Cokwe, uma escola tradicional de arte, desenvolvida ao longo de muitos séculos. A figura emblemática está, hoje em dia, gravada nas notas de kwanza.
Quanto às artes plásticas, realçam-se três grandes períodos: o mais longínquo, onde pudemos ainda hoje ver testemunhos deixados por artistas desconhecidos em fontes arqueológicas como grutas; o período em que antecedeu e independência, em que a arte ficou marcada por um sentimento nacionalista; e, por ultimo, o período após a independência, onde surgem diversos artistas com formação nas Artes Plásticas, descobrindo novos valores. Hoje em dia, com o alcance da paz, os jovens angolanos têm cada vez ganhado mais interesse pela arte do seu país e a formação tem melhorado ao longo dos anos. Neste âmbito, Angola assume um papel de destaque no seio da comunidade africana, com muitos artistas mundialmente conhecidos. Apesar dos três períodos serem diferenciados, há como que um elo de ligação, a maneira de exprimir os sentimentos é muito particular, muito angolana.

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